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Disfunção Eréctil: Cada vez mais tratável…
Pedro A. Vendeira, MD, PhD, Assistente Hospitalar de Urologia, Professor de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
segunda-feira, 19 de julho de 2010


A sua prevalência aumenta significativamente com a idade, e não podemos esquecer que, devido ao crescimento global da população mundial associado ao aumento da esperança média de vida, a sua prevalência vai crescer de uma forma altamente progressiva, estimando-se que em 2025 o número de doentes com disfunção eréctil rondará os 322 milhões (cerca de 152 milhões em 1995). É impossível ficar indiferente a estas projecções, o que levanta problemas delicados no que diz respeito a políticas e estratégias de saúde, bem como ao orçamento global e aos cuidados de assistência médica geral.

 

Por estas e outras razões, o termo impotência está hoje fora de uso pelo sentido inespecífico e pejorativo que representa, mas ainda consolida o facto de que, apenas 10 a 15% dos doentes solicitam avaliação e tratamento médico, e, na sua grande maioria, meses ou anos após o início das alterações. O papel da parceira sexual é fundamental na tentativa de promover uma adequada e atempada resolução desta condição. Situações em que a mulher encara com bons olhos o cessar da actividade sexual pondo fim a um “dever” de longa data que na esmagadora maioria das vezes nunca lhe transmitiu prazer, pode ser vista como um fenómeno de “libertação. Já o reverso da medalha é também verdadeiro e fruto de uma nova era de tratamento da disfunção eréctil.

 

Outros casais com outras sexualidades procuram ajuda. Para casais mais activos, a companheira sente curiosidade, apesar de em geral ser o homem a dar o primeiro passo. Isto não é sinónimo de que a mulher não quer tomar a iniciativa, mas pensa que o companheiro deve dar o primeiro passo. É de salientar, no entanto, que a passividade da mulher tem vindo a ser progressivamente substituída por atitudes globalmente mais participativas neste campo. Para casais mais jovens, a situação hoje está mais facilitada, pela abertura sexual actual. Desde que ambos se “entendam” sexualmente, os actuais meios de informação permitem maior liberdade de escolha, e se o homem ainda se sente envergonhado pela situação, hoje em dia, é a companheira quem puxa dos galões e encara o problema como qualquer outra doença que surge e tem de ser tratada.

 

Fármacos precisam-se?

A terapêutica farmacológica oral da disfunção eréctil é hoje amplamente utilizada. Estes agentes constituem hoje a terapêutica de 1ª linha para a maioria dos doentes com disfunção eréctil. As principais vantagens dos agentes orais são a sua boa tolerância, exibindo percentagens pouco significativas de efeitos adversos, a sua boa aceitação por parte dos doentes, dado o seu comportamento fisiológico, a facilidade de administração, a eficácia comprovada em múltiplas etiologias e as contra-indicações mínimas que apresentam. Os agentes mais eficazes e seguros neste grupo são os inibidores da 5-fosfodiesterase, exercendo o seu efeito no mecanismo periférico da erecção, amplificando o efeito da estimulação sexual. De facto, é mesmo necessária a estimulação sexual prévia para poderem desenvolver o seu mecanismo de acção. São eficazes em múltiplas causas, independentemente do grau de severidade da disfunção eréctil e da idade do doente.


© 2007 Jornal do Centro de Saúde
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