Para o Professor Luís Rebelo, coordenador das consultas intensivas de cessação tabágica da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), é fundamental o abandono do hábito de fumar, sobretudo no caso de doentes que sofreram uma angina de peito, um enfarte cardíaco ou um AVC ou que tenham factores de risco cardiovascular como a diabetes e a hipertensão arterial, por exemplo. O esclarecimento do doente pode ser uma mais-valia importante para abandonar o consumo de tabaco.
Quais os critérios para aceder a uma consulta?
A recomendação para frequentar a consulta intensiva de cessação tabágica nos centros de saúde da ARSLVT, como por exemplo na USF do Parque do Centro de Saúde de Alvalade, não se aplica a todos os fumadores, variando com a existência de um ou vários requisitos relacionados com a dependência de nicotina. “Esta consulta está direccionada especialmente para os fumadores: de vinte ou mais cigarros por dia, que sofrem de patologia grave relacionada com o tabaco, os que pensam deixar de fumar no próximo mês, os que fumam o seu primeiro cigarro até trinta minutos após acordar, aqueles que já tentaram, mas não conseguiram, manter-se sem fumar, os que, após deixarem de fumar, apresentam uma síndrome de privação intenso”, explica o Professor Luís Rebelo.
Estes critérios de selecção de doentes para a consulta costumam ser antes identificados pelo médico de família. Embora cada fumador possa inscrever-se na consulta se assim o desejar, “através de um sistema de marcação presencial ou por telefone”, esclarece.
Como deixar de fumar?
O Professor Luís Rebelo sublinha que os doentes candidatos à consulta necessitam de ser submetidos a “métodos mais intensivos” para abandonarem o consumo de tabaco. “Uma primeira consulta pode demorar cerca de 45 minutos e há um programa regular de consultas (de 4 a 6) durante um ano para a maioria destes fumadores”.
O especialista acrescenta que, além do uso de medicação, “são igualmente usadas técnicas de mudança comportamental e de treino de competências que vão ajudar os fumadores a mudarem o comportamento de fumadores para não fumadores”. Afirma que “se prescrevem medicamentos de tipo nicotínico e não nicotínico que ajudam os fumadores a evitarem a síndrome de privação”.
É fácil deixar de fumar?
O Professor Luís Rebelo frisa que a “dependência de nicotina deve ser encarada com respeito”. O especialista valoriza a importância do apoio social de familiares e amigos do doente, já que este suporte afectivo está bastante relacionado com o sucesso da consulta. Frisa que “os dados são positivos e revelam que muitos fumadores nos últimos cinco anos deixaram de fumar em Portugal, sobretudo homens”.
Onde existe a consulta intensiva de cessação tabágica?
Para saber quais os centros de saúde que disponibilizam consultas de cessação tabágica, em Portugal, consulte o site www.dgs.pt (veja no item “microsite do tabaco”, clique em “Quer deixar de fumar?” e, depois, em Consultas de cessação tabágica).