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Hipertensão arterial nas crianças e adolescentes
Diagnóstico precoce e estilo de vida saudável são os melhores aliados das artérias
Daniela Gonçalves
domingo, 24 de janeiro de 2010


Associada à ocorrência de eventos ou complicações cardiovasculares, a hipertensão arterial consiste numa elevação da pressão arterial, ou seja, no aumento da pressão do sangue contra as paredes das artérias. A sua avaliação deve ter em consideração a análise de outros factores de risco cardiovascular, afirma a Dr.ª Maria João Lima, médica de Medicina Interna e coordenadora da consulta de hipertensão arterial, no Hospital de S. João.

 

Porque surge a hipertensão arterial?

 

Segundo a Dr.ª Maria João Lima, existem dois tipos de hipertensão arterial, que resultam de causas distintas. “Em situações raras, há uma causa perfeitamente identificada e uma relação de causalidade bem estabelecida. Contudo, a grande maioria dos casos não tem apenas uma causa – resulta da interacção de factores genéticos e factores ambientais relacionados com a adopção de estilos de vida pouco saudáveis, como sejam o excesso de peso, a inactividade física e o consumo de substâncias que favorecem o aparecimento da doença, como os alimentos com alto conteúdo de sal”, explica.

 

 

 

Sintomas tímidos. É fundamental a vigilância da pressão arterial

 

A hipertensão arterial é, muitas vezes, assintomática, pelo que não apresenta sintomas ou manifestações nas crianças e nos adolescentes, à semelhança do que sucede no caso dos adultos. Daí a importância da medição regular dos valores de pressão arterial sempre que a criança e o adolescente se deslocam à sua consulta de medicina familiar ou pediátrica. A detecção precoce da hipertensão arterial nas crianças “evita que surjam complicações na infância e na idade adulta”, salienta a Dr.ª Maria João Lima.

 

Dieta saudável e prática de exercício vs. hipertensão arterial

 

A adopção de medicação contra a hipertensão arterial não deve ser a primeira medida a ser sugerida pelo médico para tratar a maior parte das crianças e dos adolescentes com esta doença, afirma a Dr.ª Maria João Lima.

As principais apostas devem centrar-se na adopção de uma alimentação saudável, no combate à inactividade física e no incentivo à prática de exercício. “Há que combater o excesso de peso, de forma a atingir um peso adequado à altura. Até porque um dos principais problemas das crianças portuguesas é comerem muitos alimentos com muitas calorias, açúcar e sal, facto que contribui para o aumento de peso, originando também a hipertensão arterial.” Mudanças nos hábitos de lazer das crianças surgem igualmente como factor de risco. Lembra que as crianças “não só deixaram de praticar exercício físico regularmente (saltar, correr, brincar ao ar livre) como passaram a estar perfeitamente inactivas, do ponto de vista físico, quando passam horas sentadas a ver televisão ou a jogar jogos electrónicos”.

 Sublinha que o sedentarismo é uma das práticas a abater, em nome de uma melhoria da saúde cardiovascular e geral das crianças. Acrescenta que a criação e manutenção de um estilo de vida saudável para toda a vida “é o mais importante no tratamento da hipertensão arterial em todos os grupos etários”.

Reforça que à família compete ensinar as crianças a alimentarem-se bem e explicar as vantagens da adopção de uma alimentação saudável e da prática de exercício físico (caminhada, natação, entre outros) para a sua saúde. Os pediatras, médicos de família ou nutricionistas podem ajudar as crianças submetidas a um programa de controlo de peso e hipertensão arterial a ficarem mais motivadas.

 

Em que circunstâncias se prescreve a medicação?

Quando...

- A hipertensão arterial tem causas conhecidas

- Está associada a sintomas como cefaleia (dor de cabeça), vómitos, naúseas

- A hipertensão tem impacto noutros órgãos, principalmente no coração ou no rim

- Há diabetes em simultâneo com a hipertensão arterial

- Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes para controlar a pressão arterial

 

 

Os nutricionistas devem conquistar os jovens

As crianças e os adolescentes deverão conversar de uma forma aberta com os seus nutricionistas. Estes não devem desvalorizar os conhecimentos que eles têm, mas antes tratá-los como pessoas autónomas e entender como funciona a sua mente, de forma a conquistá-los.  “Se o jovem estiver conquistado, posso convencê-lo a seguir um regime alimentar saudável, embora pense sempre que é ele que comanda toda a situação”, explica a Dr.ª Rosa Maria Santos, nutricionista no Hospital de S. João.

 

 

É possível ainda em criança ou em adolescente ter um enfarte ou AVC?

“São situações muito raras mas existem; as consequências mais frequentes ainda nos mais jovens relacionam-se com alterações sobretudo renais e/ou cardíacas, que, não sendo ainda tão graves, provocam alterações no desenvolvimento dos órgãos afectados e se manifestarão de forma mais grave no futuro”, explica a Dr.ª Maria João Lima.    

 

Inês Francesca Consonni, 13 anos, aluna no Colégio Novo da Maia

J.C.S – Preocupas-te muito com o que comes?

Inês Francesca – Sim bastante, porque há dois anos, não estava na melhor forma física e era muito desleixada com a minha alimentação. A minha mãe fazia-me as vontades e não sabia dizer que não. Mas, actualmente, um dos meus objectivos é manter peso e ter uma boa forma física.

 

J.C.S - O que te levou a ter uma dieta mais saudável?

I. F. – Eu tinha obesidade grau 1 e, por isso, um certo dia, o meu pai mostrou-me o que sucedia às pessoas que não tinham uma alimentação equilibrada e que não levavam uma vida saudável.

 

Inês tens ou já tiveste algum problema de diabetes, hipertensão arterial ou hipercolesterolemia?

I.                   F. – Não, mas um dos meus objectivos quando mudei de estilo de vida foi precisamente evitar o surgimento desses factores de risco no futuro.

 

Como é o teu plano de controlo de peso?

I.                   F. – A minha mãe prepara sempre refeições muito saudáveis à base de sopa de legumes – apesar de eu não gostar deste alimento – e uma vez por semana comemos massa. Comemos muitos legumes e fruta.  

 

E as refeições na escola são equilibradas?

I. F. – Sim, são saudáveis e equilibradas. Ao longo do dia, como fruta e, por vezes, como umas barras energéticas pouco calóricas, porque são benéficas para quem pratica desporto. O meu pai costuma também preparar-me sandwich de pão integral com queijo.

 

Que tipo de exercício praticas?

I. F. – Neste momento, pratico basquetebol, nado e faço jogging.

 


© 2007 Jornal do Centro de Saúde
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