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A maçã não é toda igual
Andreia Pereira
quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Diz o aforismo popular que “ingerir uma maçã por dia mantém o médico afastado”. E, fazendo jus ao ditado, não há dúvida de que as propriedades antioxidantes deste fruto ajudam a prevenir doenças crónicas. “O consumo regular de maçãs contribui para reduzir os níveis de colesterol no sangue, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares”, defende o Dr. Domingos de Almeida, coordenador do estudo “Caracterização nutritiva, funcional e bioactiva de variedades da maçã de Alcobaça”.

Para além das propriedades nutricionais, os flavonóides e outros compostos funcionais “protegem e melhoram a saúde”. O investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica ressalva, porém, que para surtir efeito, a ingestão desta fruta deve estar “inserida numa dieta equilibrada”.

 

Na saúde e na doença

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a “ingestão diária de pelo menos 400 gramas de fruta e produtos hortícolas”. De acordo com o investigador, “a tendência é para aumentar esta quantidade em futuras recomendações”. É, neste sentido, diz o especialista que, para “preencher a quota de frutas e legumes diários”, a maçã, “pela variedade e sabores”, pode-se apresentar como uma das principais opções saudáveis.

Nos últimos 10 anos, as investigações realizadas em ratinhos colocaram em evidência que “os extractos de maçã inibiam o desenvolvimento de tumores” nestes animais. E, em certas condições, chegavam mesmo a “travar a proliferação de células cancerígenas”. O olhar atento sobre estes estudos empolou o interesse em avaliar as propriedades funcionais da maçã. Será este fruto apenas um alimento que ajuda a saciar a fome?

Segundo Domingos de Almeida, os flavonóides e os carotenóides da maçã demonstraram efeitos “na prevenção de algumas doenças crónicas do sistema cardiovascular e mesmo em certos tipos de cancro, nomeadamente o colorrectal”. Paralelamente a esses benefícios, está provado que “as fibras ajudam a reduzir os níveis de colesterol no organismo”.

 

Com casca ou sem casca?

Embora haja quem prefira comer apenas a polpa, Domingos de Almeida afirma que é na casca da maçã que se concentram os principais compostos funcionais. “Em média, a casca possui quase cinco vezes mais actividade antioxidante do que a polpa e, em algumas variedades, como a Starking, chega mesmo a ser nove meses superior.”

Para gozar em pleno do que esta fruta tem de melhor, o investigador é apologista do consumo integral da maçã. “Com a produção integrada e livre de pesticidas, é aconselhável ingerir maçãs com casca, para se tirar partido da sua riqueza em compostos funcionais.”

 

Estudo analisa benefícios da maçã

Um grupo de dez investigadores da Escola Superior de Biotecnologia decidiu levar a cabo um estudo que procurou descortinar a composição nutricional, a actividade antioxidante e os fitoquímicos funcionais das diferentes variedades da maçã. Por ora, já está disponível um relatório com “a composição nutritiva e fotoquímica das principais variedades da maçã de Alcobaça”. Parte dos resultados deste estudo será, oficialmente, conhecida em Fevereiro do próximo ano. Na mesma altura, esperam-se as conclusões finais e os dados da bioactividade em células cancerígenas.

 

CX:

Saciar a fome

Conhecida como a fruta que ajuda a “saciar a fome”, a maçã “possui menos calorias do que muitos outros alimentos”, afiança Domingos de Almeida. Composta por fibras e vitamina C, esta fruta, “com baixa densidade calórica, é excelente no combate à obesidade”. Quando ingerida num contexto de “uma alimentação diversificada e equilibrada, é uma aliada da saúde e do bem-estar”, fundamenta.

 


© 2007 Jornal do Centro de Saúde
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